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O fato de um terço de projetos de leis, votados na Câmara Municipal de Curitiba, se referir à mudança de nomes de ruas é um indicativo de como anda (mal) a situação política do país. O cargo público parece ser visto apenas como um emprego. Porém, diferente de empresas privadas, na política nunca ouvimos falar: “satisfação garantida ou seu voto de volta!” E para piorar o consumidor, ou melhor, eleitor, na maioria das vezes não reclama.

Com um cenário assim precisamos encarar diariamente o descaso dos políticos, que fabricam leis que não serão cumpridas. Um exemplo é o caso das matas ciliares. Garantidas pelo Código Florestal vigente não são respeitadas e não é raro escutar denúncias de irregularidade. Uma proposta de lei feita pelo Ministério Público do Paraná sobre o uso de assentos preferenciais no transporte coletivo deve ter o mesmo destino, a amnésia coletiva. A ideia é que quem estiver sentado em um banco preferencial e não ceder o lugar para idosos e pessoas com deficiência seja multado. O Cadastro de Pessoa Física (CPF) seria o documento  de identificação para aplicar esta multa. Agora pensemos nos problemas desta lei. A frota de ônibus, apenas de Curitiba, conta com quase 2.000 veículos e há promessas de que aumente aproximadamente 30%. Quem fará a fiscalização no transporte coletivo? Se o Estado não consegue suprir a demanda de trâmites, vistorias e aplicação de penalidades já existente, conseguirá responder por uma nova responsabilidade?

Além destas questões, é de se ponderar se os gastos empregados na contratação destes fiscais não seria melhor empregado se fosse investido em educação. Afinal, o princípio de todos os males da sociedade brasileira parece vir daí. Um projeto educativo elucidando o Estatuto do Idoso e a Lei da Acessibilidade poderia ter um efeito mais duradouro. Também seria responsável por esclarecer à população o porquê da necessidade de reservar espaços para estes usuários.

Mas, no Brasil acreditam que tudo se resolve criando uma nova lei. A História mostra que não é assim. Os velhos problemas permanecem e sobrevivem a elas. O caminho é investir na educação e garantir a liberdade dos cidadãos de serem “mal-educados”. Foi assim que as crianças de Curitiba aprenderam a se-pa-rar o lixo e a não jogá-lo na rua, com dois projetos educativos. A “família Folha” e o slogan “Se-pa-re” até hoje são lembrados por muito curitibanos, então, que tal criar um projeto que ao invés de penalizar, eduque?

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