Perecível ao tempo

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Sábado a noite sem muito dinheiro no bolso e nem animação suficiente para sair de casa: bom momento pra assistir um filme despretensioso. Como a pão-dureza e a preguiça são as companheiras da vez, recorro ao acervo de filmes disponível no Youtube. Se posso abrir mão da qualidade da trama, consigo abrir mão da qualidade das imagens.

Escolho “Ela é a poderosa” (Georgia Rule, 2007).

Resuminho rápido: Lindsay Lohan é uma adolescente rebelde da Califórnia obrigada pela mãe a passar as férias na casa de sua avó, Jane Fonda. Ok, pra essa noite serve.

Começo a assistir. Algumas piadinhas aparecem, Lindsay está lá, toda rebelde sem causa, com roupas provocantes e seu cabelo trabalhado na chapinha. Nada de novidade.

Enquanto Lindsay “apronta todas” em uma pacata cidadezinha de Idaho a trama se adensa. Um segredo é revelado e traz a tona os problemas de relação vividos entre as três gerações da família, Rachel (Lindsay), sua mãe Lilly (Felicity Huffman) e a avó Rachel (Jane Fonda).

Mais do que expor as pequenas tragédias familiares, um panorama de sérios problemas se impõe. Alcoolismo, abuso sexual e uso de drogas ajudam a construir o drama e o universo de cada personagem. Com as feridas abertas e expostas, as três mulheres estão desorientadas sobre quais serão os próximos passos em suas vidas e como lidarão com as dificuldades.

Mesmo abordando temas pesados o filme tem uma estética e ritmo de “Sessão da Tarde”, e aí talvez seja a maior ressalva que pode ser feita a ele. A trama em si, apesar de boa, não faz com que esse seja um “grande filme”. Lindsay, Felicity e Jane Fonda atuam muito bem, mas a trilha sonora insossa e enquadramentos de câmera são alguns dos itens que poderiam ser melhores trabalhados. De qualquer forma, as feridas das três mulheres estão lá, abertas e a espera de que alguém se interesse por elas.

p.s.: Dá pra assistir o filme completo pelo Youtube.

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Um dos meus filmes preferidos é “Diários de motocicleta“, por vários motivos:

  • Mostra a paisagem e a cultura de diversos países da América Latina;
  • Sua estética lembra a de um documentário;
  • A adaptação foi muito bem feita! Pra quem não sabe, o filme foi inspirado em dois livros. O “De moto pela América do Sul“, do Che Guevara e “Con el Che por Sudamérica“, de Alberto Granado.
  • Walter Salles é orgulho brasileiro. O diretor é referência no cinema, e sempre é bom prestigiar a prata da casa;
  • Conta a história de Che Guevara quando ele ainda era apenas Ernesto Guevara;
  • Tem os lindos Gael García Bernal e Rodrigo de La Serna, como Ernesto e Alberto Granado, respectivamente.

Depois que você assiste o filme, a vontade que dá (pelo menos comigo aconteceu isso) é de largar tudo e sair viajando por aí.

Bom, só os motivos listados aí em cima são suficientes pra correr assistir.

E se você pegar o DVD em uma locadora, melhor ainda. Isso porque ele tem alguns extras, e o mais interessante é o mini documentário com o companheiro de viagens de Che Guevara, Alberto Granado.

No tal mini documentário, Granado fala da coragem necessária para se fazer uma viagem como a deles.

 

 

Para uma viagem como essa, é preciso romper. É preciso ser mau filho, mau irmão, mau namorado, e partir. Ou acaba não indo.

[Alberto Granado]

Acho que Granado coloca bem a questão. É preciso romper. E não apenas para se aventurar em viagens de moto pela América do Sul.

É preciso romper com as pessoas mais importantes das nossas vidas, para que a gente possa seguir um caminho único. Para ficar livre para aceitar a melhor escolha pra si mesmo. Para que a gente se jogue na vida, sem arrependimentos e traumas. Para que a gente se prepare para a própria revolução.

Já rompi com meus pais, irmãos, amigos… Só não aceito romper comigo mesma!


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