Perecível ao tempo

Posts Tagged ‘bandeira

Chego tarde para comentar o assunto mais discutido das últimas duas semanas. São tantas informações e emoções sobre os acontecimentos que é difícil formular grandes considerações. Mas, lendo matérias e relatos das manifestações que ocorreram em todo o Brasil hoje, fico impressionada com a violência reinante em todos os lugares. Mas dessa vez, não é a violência da polícia que me impressiona, e sim de parte dos que protestam. Não, também não me refiro ao vândalos, saqueadores, pitboys que estão presentes lá. Minha indignação é com aqueles mesmos que gritam “sem violência”, mas que não permitem bandeiras e/ou símbolos de partidos e de movimentos sociais. Com aqueles que hostilizam repórteres e representantes da imprensa.

Tenho a impressão que essa parte da massa ainda não entendeu o que é democracia, e ainda assim afirma estar lutando por ela.

 

 

 

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Nunca fui para os países Bálticos, consequentemente, nunca coloquei os pés na Lituânia, mas há um lugar nesse país que deve fazer com que todos que tem espírito livre se sintam em casa: República Independente de Uzupio. Bairro anarco-boêmio, localizado na região central da capital Vilnius, o local foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Poetas, bêbados e hippies em geral povoam o distrito, que teve sua independência declarada em 1997. Nos dias 1º de abril celebra-se o Dia de Uzupis.

Mantenha-se sorrindo / Vá devagar / Seja enigmático / Largue seu carro, ande um pouco a pé

Mantenha-se sorrindo / Vá devagar / Seja enigmático / Largue seu carro, ande um pouco a pé – Filosofias uzupianas

Descobri Uzupio há alguns vários anos (quando as pessoas ainda escreviam scraps no Orkut) através do blog do Claudiomar. Depois disso procurei mais informações sobre a tal república anarquista, e até entrei para a embaixada virtual brasileira de Uzupio (sim, sim, no Orkut!)

Uma vez por semana tenho vontade de abandonar Curitiba, faculdade, estágio, AIESEC (instituição sem fins lucrativos, na qual trabalho como coordenadora de projetos educacionais) e tudo o mais. Vontade de ir para um lugar novo, pra descobrir, conhecer, viver, sonhar…

Hoje lembrei de Uzupio e fiquei com saudades desse lugar que nunca visitei, mas que coloca a felicidade como direito de todos em sua Constituição (artigo 17).

Uzupio tem bandeira, presidente, hino e até exército próprio, mas com certeza, o que mais chama a atenção de todos que ouvem falar no país/bairro é sua Constituição.

Segue a tradução:

1. Todos têm o direito de viver ao lado do rio Vilnelė, enquanto que o Rio Vilnelė tem o direito de correr ao lado de todos;
2. Todos têm direito a água quente, calor no inverno e um telhado ladrilhado;
3. Todos têm o direito de morrer, mas isso não é um dever;
4. Todos têm direito de cometer erros;
5. Todos têm direito à individualidade;
6. Todos têm direito a amar;
7. Todos têm o direito de não ser amados, mas não necessariamente;
8. Todos têm o direito de não ser distinto e famoso;
9. Todos têm o direito de ser ociosos;
10. Todos têm o direito de amar e cuidar de um gato;
11. Todos têm o direito de cuidar de um cachorro até que um ou outro morra;
12. Um cachorro tem direito de ser um cachorro;
13. Um gato não é abrigado a amar seu dono, mas deve ajudá-lo quando se encontrar em dificuldades;
14. Todos têm o direito de, às vezes, estar inconsciente de seus afazeres;
15. Todos têm direito de ficar na dúvida, mas isso não é uma obrigação;
16. Todos têm o direito de ser felizes;
17. Todos têm o direito de ser infelizes;
18. Todos têm o direito de ficar em silêncio;
19. Todos têm o direito de ter fé;
20. Ninguém tem direito à violência;
21. Todos têm o direito de perceber sua insignificância e magnificência;
22. Todos têm o direito de violar até a eternidade;
23. Todos têm o direito de entender;
24. Todos têm o direito de entender nada;
25. Todos têm o direito de ter várias nacionalidades;
26. Todos têm o direito de celebrar ou não o próprio aniversário;
27. Todos devem lembrar do próprio nome;
28. Todos devem dividir o que possuem;
29. Ninguém pode dividir o que não possui;
30. Todos têm o direito de ter irmãos, irmãs e pais;
31. Todos são capazes de ter independência;
32. Cada um é responsável pela própria liberdade;
33. Todos têm o direito de chorar;
34. Todos têm o direito de ser incompreendidos;
35. Ninguém tem o direito de fazer outra pessoa se sentir culpada;
36. Todos têm o direito de ser pessoal;
37. Todos têm o direito de não ter direitos;
38. Todos têm o direito de não ter medo;
39. Não defenda;
40. Não revide;
41. Não se renda;

Pra quem ficou morrendo de vontade de conhecer Uzupio, aqui e aqui tem a visão de dois brasileiros sobre o lugar. Pra quem vai bem no inglês, mais informações aqui e a Wiki nossa de cada dia, que não podia ficar de fora.

*Claro que o título desse post foi inspirado no poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada“, lugar onde “a existência é uma aventura”.


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