Perecível ao tempo

Archive for the ‘meus decibéis’ Category

Secretamente, crio uma grande expectativa toda vez que entro em um ônibus ou um auditório. Sempre acho que no meio do percurso, ou do espetáculo, alguém pode subir na poltrona e começar a cantar, enquanto ensaia um bailado. Pouco a pouco os demais se levantam e somam vozes, até chegar no refrão, ponto máximo da cantoria e da alegria dos presentes. Às vezes, melhor dos mundos, sou eu quem levanta do nada e começa a murmurar uma canção.

Talvez eu tenha assistido propagandas da Coca Cola demais, mas antes de saber que era possível combinar esse tipo de coisa com as pessoas, sonhava com algo espontâneo e com cara de Sessão da Tarde.

Se um dia o sonho se concretizar, acho que vai tocar Color Esperanza, do Diego Torres. A música começa lenta e vai ganhando um ritmo mais agitado, tem um refrão que cola e é super otimista, ou seja, tem todos os ingredientes de trilha de Sessão da Tarde.

 

P.s.: Desconfie das pessoas que estiverem assistindo um flash mob e não estiverem filmando. Provavelmente elas serão as próximas a começar a cantar/dançar.

 

 

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O meu cérebro trabalha em português, mas acho que meu coração só funciona em espanhol! Não sei se é porque quando pequena escutava cantigas de ninar nesse idioma (ensinadas pela minha mãe, que é paraguaia), mas as músicas que mais me tocam são cantadas nessa língua.

Também acho que sou um pouco exagerada nas questões sentimentais, mas o que se há de fazer? Culpo o sangue e a cultura latina, aliados à minha porção baiana, das quais descendo.

Em madrugadas tipicamente curitibanas, frias e com garoa, só me resta recorrer a música de Fito Paez e Joaquin Sabina. “Contigo” tem o poder estranho e paradoxal de animar e acalmar.

Yo no quiero domingos por la tarde;
Yo no quiero columpio en el jardín;
Lo que yo quiero, corazón cobarde,
Es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas
Y matarme contigo si te mueres
Porque el amor cuando no muere mata
Porque amores que matan nunca mueren.

[Fito Paez, CONTIGO]

P.s.: Traduzir é matar um pouco da poesia. Força no Google Tradutor!

Lembro que quando nos conhecemos era uma noite quente. Eu estava de vestido amarelo, e você vestia amarelo também. Em tudo combinávamos, e a conversa parecia que nunca acabaria, porém, amanheceu e tivemos que partir para nossa vida de compromissos adultos. Talvez, tenha sido neste momento que começamos a terminar, mas eu não sabia, e voltei pra casa cantando.

 

Sempre acho estranho quando crianças fazem “papel” de adulto em publicidade, filme ou qualquer outra coisa. Nem sei explicar muito bem a minha antipatia, mas costumo revirar os olhos quando vejo algo do tipo.

Não sei se o fato de That’s What’s Up ser a minha música preferida do “novo” CD de Edward Sharpe and The Magnetic Zeros (Here) pode ser relacionado com o fato de que amei o clipe da música. Mesmo tendo crianças fazendo “papel” de adultos.

Devo ter me rendido à fofura da mini-casa também (acho que gravaram o clipe em uma “casa de anão”. Sério! Repara no tamanho da mini-pia do banheiro, da geladeira, altura do fogão…) e também ao bigode feito de canetinha no rosto de um dos meninos…

 

 

P.s.: E Here não agradou só a mim, também está na lista dos 20 melhores de 2012, do blog do Zeca Camargo (!)

P.s.2: E quando eu tiver um filho, vou querer que ele seja como esse menino coisa-mais-fofa!

 

 

 

Para ler escutando:

 

 

Ambiente à meia luz. Ao fundo, casais dançam tango. Vinho. O sotaque argentino, que não é dos mais bonitos, sendo dito ao pé do ouvido. Ensino algumas palavras em português. Trocamos olhares maliciosos. Rimos.

Más vino, por favor!

Os casais passam a dançar mais lentamente, pra acompanhar o ritmo da música. O joelho de um esbarra no do outro sem querer. Mais palavras em espanhol, e dessa vez o sotaque argentino parece um pouco mais simpático. Uma franja que cobre parte do rosto é empurrada delicadamente para a lateral. Um comentário sarcástico traz mais risadas à mesa.

Mozo, otra botella de vino.

Esquecemos do português. Agora o sotaque argentino, cheio de chiados, parece mais melódico. A mão de um esbarra na do outro intencionalmente. Já não sabemos o que os casais dançam (ainda há casais dançando?). A reprodução de um coração humano enorme faz parte da decoração e torna o lugar ainda mais exótico.

Suspiros.

Joelhos se esbarrando novamente.

A luz se torna um pouco mais intensa e garçons passam a colocar cadeiras empilhadas sobre as mesas. Percebemos que é hora de partir.

O ar fresco do lado de fora do restaurante parece nos envolver. Sentamos no meio-fio à espera de um ônibus. A essas horas, até as calçadas cobertas de folhas são lindas.

Vinte, trinta minutos depois chega o coletivo.

O efeito do vinho vai passando. Aos poucos, a estranha luz do ônibus realça suas feições. Percebo seu cabelo um tanto oleoso. De repente, me dou conta que estou mais perto do seu corpo do que deveria estar. Me afasto, e as risadas passam a ser mais contidas. Uma rápida e nova olhada ao seu rosto me faz perceber um nariz um tanto desproporcional. Conforme o ônibus nos leva para um ponto mais distante do centro da cidade me dou conta que o Homem não passa de um garoto. É dois anos mais novo que eu.

Desço do ônibus. E agradeço por não ter me deixado levar pelos devaneios etílicos, o tango e a atmosfera sedutora de Buenos Aires.

 

 

 

A sua barba e a boina idênticas às de Che, a camisa amarela vinda de Cuba, os olhos verdes, as sardas e o sotaque chileno. Mais do que isso, o seu conhecimento sobre as fases da Lua, o horóscopo maia, o significado da base piramidal para diversos povos. Você cantando bossa nova, MPB, canções chilenas e de outros lugares mais dessa América do Sul. A flauta transversal de bambu sendo tocada às quatro da manhã, o cachorro quente comido às cinco e o beijo dado às seis.

Se nossa história juntos se resumir a isso, tudo bem, sei que foi uma bela história de amor.

 

 

 

Saberia pular corda, rebolar e fazer charme. Tudo ao mesmo tempo.

Seria cheerleader, dessas que fazem mil piruetas.

Entraria pro New York City Ballet.

E faria um clipe bem legal.

 

 

Vi no Verdades Particulares de um caderno sem linhas

 

 


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