Perecível ao tempo

Archive for the ‘entre traças’ Category

Posted on: 21/07/2012

São spoilers da literatura brasileira.

NÃO LEIA!

Ou leia e tente adivinhar de quais histórias são.

 

Separada de Bentinho, Capitu “morre bonita” na Suíça.

Brás Cubas não teve filhos. E morre (coisa que é um falso spoiler, a bem da verdade).

Preso, Major Quaresma perde. Tudo.

GH come a barata. E adora­­ – – – – –

Fabiano atira em Baleia e vai para o sul.

Vestida de dançarina oriental, Ana é morta pelo pai.

Ana Clara morre, Lia se exila e Lorena volta pra casa.

O diabo não existe, existe o “homem humano”.

Baltasar desaparece num balão, mas Blimunda o vê queimando numa fogueira.

Gabriela e Nacib ficam juntos.

Bertoleza rasga o próprio ventre.

Com vento a favor, tudo dá certo para os portugueses.

Madalena escreve uma carta e toma veneno. Todos dormem – menos Paulo Honório.

“Seguiu-se a morte de D. Maria, a do Leonardo-Pataca, e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores, fazendo aqui ponto-final.”

 

Reconheci #8.

P.S.: Os spoilers saíram daqui: Não me culpem pelo aspecto sinistro

 

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Às vezes é preciso interromper a leitura e olhar para fora. Aproveitar a janela do ônibus ou de casa para descobrir a cidade e se apropriar dela… Conhecer a gente que a habita e a faz pulsar. Descobrir formas e cores nas plantas dos jardins alheios. Conhecer mais de arquitetura observando como as pessoas vivem onde vivem. Passear a vista pela rotina de alguém que você nunca mais vai encontrar. Parar em frente a um portão e não se intimidar pelo tamanho, e sim espiar pelas frestas.

Brindar o olhar com a vista da cidade, é o que quero pra hoje.

“Penso que estamos Cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

José Saramago

Quando um livro é aberto, milhões de possibilidades se abrem simultaneamente. Além das histórias que carrega consigo, ele pode contar outras histórias, de diversas maneiras.

Muita gente se inspira em livros pra criar essas novas histórias.

O vídeo abaixo ganhou o Oscar de Melhor Curta de Animação.

Aqui um stop motion mostra o que acontece em uma livraria quando ela fecha as portas.

Já nesse vídeo, a organização da prateleira rendeu um clipezinho animado.

Aqui livros enfileirados tomam a vez de dominós e anunciam uma rede de livrarias chamada Bookmans (aliás, vale a pena assistir os vídeos do canal deles do Youtube. Tem umas propagandas bem engraçadinhas).

E ainda tem uma sequência de vídeos onde os protagonistas são os livros.

Ou seja, é livro que não acaba mais!

 

Sempre fui apaixonada pelo mundo da leitura, dessas que não perdem a oportunidade de ler nem outdoor ou bula de remédio. Sempre fui daquelas leitoras intensas, que não descansava enquanto não tivesse chegado ao fim da história. Foram incontáveis às vezes em que passei a noite em claro, na busca de um desfecho emocionante. Tudo certo até aí, você deve estar pensando, afinal, não são raros os casos de leitores apaixonados pela palavra escrita. Mas o problema ocorria quando esta palavra, por mim tão apreciada, não era bem utilizada. Entre livros que “devorava”, outros que “digeria” lentamente, existia um grupo que simplesmente “entalava” na minha guela. Como um casal de velhos ranzinzas, seguíamos juntos até o fim enquanto reclamava dele, ele parecia reclamar de mim. Como uma mulher traída, me perguntava “o que estou fazendo ao lado deste traste?” Mas não o largava. Com medo de perder um “manjar dos deuses” consumia o petisco insosso. E nesta relação difícil, nada de novo ou de bom era acrescentado. A leitura era um suplício.

Um dia, numa terça ou quinta feira, às nove da manhã ou às duas da tarde, num desses momentos que você não espera nada de especial da vida, tomei uma decisão: era hora de me desapegar. Sim, já não devia mais aceitar ficar em má companhia. Se um livro não me satisfizesse, deveria abandoná-lo. E foi isso que fiz. A partir daí, me tornei livre e promíscua. Era livre para escolher quem estaria ao meu lado, só um nome famoso não me bastaria. Era preciso ter química. Só ficaria ao lado de quem me desse prazer. Machado de Assis precisou lutar pela minha atenção. Guimarães Rosa me seduziu a cada linha. Agatha Christie recheava a nossa relação com mil mistérios para me manter entretida.

Foi assim, me livrando dos chatos e ranzinzas é que pude ter mais tempo para me cercar daqueles que merecem minha atenção. Famosos ou não, dou chance a todos, mas diferente de antes, se eles não correspondem a minha expectativa o abandono. Afinal, para mim, leitura é paixão, e não um ato de obrigação.

Se eu disser que a beleza importa, rapidamente alguém vai contra argumentar: “não, não podemos analisar só a aparência, precisamos nos aprofundar”.

Concordo que devemos  dar importância para a função e o interior das coisas/pessoas, porém qual é o papel da arte? Para mim é o de ser belo.

Com tantas coisas feias a nos rodear, gostamos de ter elementos capazes de tornar mais bonita a nossa vida. Muitas vezes, o que é belo não precisa ter nenhuma função prática. Ser belo, já basta.

Porém, em busca de um “aprofundamento” das coisas, abrimos mão da beleza para não parecermos superficiais. Mas a beleza continua valendo a pena. Afinal, não são tão felizes os momentos em que podemos parar tudo e apenas contemplar algo que nos encante? A vista do horizonte que o cume proporciona não é o objetivo de qualquer montanhista? Não nos sentimos incomodados quando vivemos em uma casa que não nos agrada?

Sim, a beleza, ou melhor, a busca pela beleza está em tantas partes, então porque negar sua importância?

Filósofos argumentaram que, através da percepção da beleza, moldamos o mundo como um lar.

[Roger Scruton, filósofo]

No documentário abaixo, Roger Scruton fala sobre beleza, amor, arte, o sagrado… Material interessante para ver e debater!

Bom, não concordo com tudo que o filósofo apresenta. Acho ele um tanto radical e com uma visão muito “tradicional” sobre arte/beleza. Mas a discussão vale a pena!

Outro que deu seu pitaco sobre o assunto foi o irlandês Oscar Wilde, e é com uma frase dele (presente no livro “O Retrato de Dorian Gray“) que encerro o post, desejando que todos consigam buscar a beleza no seu dia a dia.

As pessoas dizem as vezes que a beleza é superficial. Pode ser que seja. Mas, pelo menos, não é tão superficial quanto o pensamento. Para mim, a beleza é a maravilha das maravilhas. São apenas as pessoas superficiais que não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível.

[Oscar Wilde, escritor, dramaturgo e poeta]

Sempre fui contra a obrigatoriedade da leitura dos clássicos. Para mim, essa deve ser uma atividade prazerosa, e obrigar um garoto de 13 anos a ler um livro do século XIX vai contra esta ideia.

Batia o pé defendendo essa postura, mas tive que repensar isso tudo ao conhecer Machado de Assis.

Já tinha tentado superar Machado com 12 anos, não suportei.

Acostumada a ler livros para o público infanto-juvenil, o fundador da ABL e sua literatura pareceram um suplício para mim.

Anooooos mais tarde, determinada a passar no vestibular de uma universidade pública, vi que a história de Bentinho e Capitu constava na lista de livros a serem lidos.

Encarei o volume e quando percebi estava devorando-o!

Machadão não apenas me surpreendeu, como me envolveu na trama.

RESULTADO: Adorei ter descoberto esse grande escritor. E agora olho com muito mais carinho as listas de livros obrigatórios, e enxergo nessas listas a oportunidade de conhecer ou me forçar a ler livros que eu não leria.

A gente nunca sabe onde vai encontrar o escritor da nossa vida, né!?

Um dos meus filmes preferidos é “Diários de motocicleta“, por vários motivos:

  • Mostra a paisagem e a cultura de diversos países da América Latina;
  • Sua estética lembra a de um documentário;
  • A adaptação foi muito bem feita! Pra quem não sabe, o filme foi inspirado em dois livros. O “De moto pela América do Sul“, do Che Guevara e “Con el Che por Sudamérica“, de Alberto Granado.
  • Walter Salles é orgulho brasileiro. O diretor é referência no cinema, e sempre é bom prestigiar a prata da casa;
  • Conta a história de Che Guevara quando ele ainda era apenas Ernesto Guevara;
  • Tem os lindos Gael García Bernal e Rodrigo de La Serna, como Ernesto e Alberto Granado, respectivamente.

Depois que você assiste o filme, a vontade que dá (pelo menos comigo aconteceu isso) é de largar tudo e sair viajando por aí.

Bom, só os motivos listados aí em cima são suficientes pra correr assistir.

E se você pegar o DVD em uma locadora, melhor ainda. Isso porque ele tem alguns extras, e o mais interessante é o mini documentário com o companheiro de viagens de Che Guevara, Alberto Granado.

No tal mini documentário, Granado fala da coragem necessária para se fazer uma viagem como a deles.

 

 

Para uma viagem como essa, é preciso romper. É preciso ser mau filho, mau irmão, mau namorado, e partir. Ou acaba não indo.

[Alberto Granado]

Acho que Granado coloca bem a questão. É preciso romper. E não apenas para se aventurar em viagens de moto pela América do Sul.

É preciso romper com as pessoas mais importantes das nossas vidas, para que a gente possa seguir um caminho único. Para ficar livre para aceitar a melhor escolha pra si mesmo. Para que a gente se jogue na vida, sem arrependimentos e traumas. Para que a gente se prepare para a própria revolução.

Já rompi com meus pais, irmãos, amigos… Só não aceito romper comigo mesma!


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