Perecível ao tempo

Archive for março 2013

Toc.

Toc.

Toc.

Toc.

 

O taco da bota batendo na calçada, marcando o ritmo da minha caminhada. Olhar direita-esquerda, para depois atravessar. Do outro lado da rua, olhos que um dia fixaram-se em mim. Não posso seguir andando e trocar breves acenos com a cabeça, como se faz com conhecidos.

Mas, e se ele não parar? Não me contar sobre sua vida sem mim? Não falar sobre seus projetos, sonhos, pesadelos? E se eu não tiver a chance de dizer o que senti quando ele não cumpriu a promessa de ligar?

Talvez seja melhor assim, passar reto e trocar apenas um olhar…

 

 

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Lembro que quando nos conhecemos era uma noite quente. Eu estava de vestido amarelo, e você vestia amarelo também. Em tudo combinávamos, e a conversa parecia que nunca acabaria, porém, amanheceu e tivemos que partir para nossa vida de compromissos adultos. Talvez, tenha sido neste momento que começamos a terminar, mas eu não sabia, e voltei pra casa cantando.

 

Vishh, justo quando a vida parecia seguir em paz, entrei em uma quadrilha…

 

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

[Carlos Drummond de Andrade, QUADRILHA]


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