Perecível ao tempo

Archive for maio 2012

‎”Em qualquer momento da decisão, a melhor coisa que você pode fazer é a coisa certa, a próxima melhor coisa é a coisa errada, e a pior coisa que você pode fazer é nada.”

(Teddy Roosevelt)

Meu blog, este que você está lendo agora, chamado Perecível ao Tempo já soma 53 posts, 258 tags e 9 categorias. Dei vida a ele numa terça-feira de agosto. De todos os receios que tinha em relação a ele, o maior era o de desistir.

Tinha medo do começo. Tinha medo de começar mais um blog e não saber como fazer para corresponder as minhas próprias expectativas sobre a minha criatura. Tinha medo de me cansar da brincadeira e abandoná-lo antes do final (e na atividade blogueira não há exatamente um “final”). Então, para aplacar os medos, queria achar um atalho. Queria começar um blog que tivesse quatro ou cinco meses de vida, algumas muitas postagens na rede. Queria começar já com a agradável sensação de que é preciso blogar para encerrar bem o dia.

Óbvio que tudo isso não acontece do nada. Então, meu blog começou da postagem zero no dia 1, do mês um do ano um de sua existência. Sei que não é o meu melhor produto, não é tudo que eu sempre quis fazer, nem é muito lido ou comentado, mas já carrega essa sina de confessionário. É o meu espaço que precisa existir para o desabafo. É mesa de bar, onde proponho discussões sem nenhuma importância. É diário, onde escrevo o que penso. É caderno de anotações, onde “guardo” boas indicações/referências e compartilho o que acho legal.

Ainda não tenho o hábito de escrever aqui todo dia, mas sinto uma tristezinha se não posto ou simplesmente confiro os comentários e índices de visitação (sempre tão baixos…) diariamente.

Fico feliz por ter superado os receios e ter começado o Perecível ao Tempo numa terça-feira de agosto. Mesmo que esse blog não tenha nenhuma relevância social é bom saber que tomei uma decisão que não é a pior. E tenho quase certeza que também não foi a “próxima melhor”, mas isto só o tempo vai dizer.

Sem muito o que dizer, nem palavras bonitas a acrescentar, deixo este vídeo, capaz de deixar o dia mais feliz!

Nunca fui para os países Bálticos, consequentemente, nunca coloquei os pés na Lituânia, mas há um lugar nesse país que deve fazer com que todos que tem espírito livre se sintam em casa: República Independente de Uzupio. Bairro anarco-boêmio, localizado na região central da capital Vilnius, o local foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Poetas, bêbados e hippies em geral povoam o distrito, que teve sua independência declarada em 1997. Nos dias 1º de abril celebra-se o Dia de Uzupis.

Mantenha-se sorrindo / Vá devagar / Seja enigmático / Largue seu carro, ande um pouco a pé

Mantenha-se sorrindo / Vá devagar / Seja enigmático / Largue seu carro, ande um pouco a pé – Filosofias uzupianas

Descobri Uzupio há alguns vários anos (quando as pessoas ainda escreviam scraps no Orkut) através do blog do Claudiomar. Depois disso procurei mais informações sobre a tal república anarquista, e até entrei para a embaixada virtual brasileira de Uzupio (sim, sim, no Orkut!)

Uma vez por semana tenho vontade de abandonar Curitiba, faculdade, estágio, AIESEC (instituição sem fins lucrativos, na qual trabalho como coordenadora de projetos educacionais) e tudo o mais. Vontade de ir para um lugar novo, pra descobrir, conhecer, viver, sonhar…

Hoje lembrei de Uzupio e fiquei com saudades desse lugar que nunca visitei, mas que coloca a felicidade como direito de todos em sua Constituição (artigo 17).

Uzupio tem bandeira, presidente, hino e até exército próprio, mas com certeza, o que mais chama a atenção de todos que ouvem falar no país/bairro é sua Constituição.

Segue a tradução:

1. Todos têm o direito de viver ao lado do rio Vilnelė, enquanto que o Rio Vilnelė tem o direito de correr ao lado de todos;
2. Todos têm direito a água quente, calor no inverno e um telhado ladrilhado;
3. Todos têm o direito de morrer, mas isso não é um dever;
4. Todos têm direito de cometer erros;
5. Todos têm direito à individualidade;
6. Todos têm direito a amar;
7. Todos têm o direito de não ser amados, mas não necessariamente;
8. Todos têm o direito de não ser distinto e famoso;
9. Todos têm o direito de ser ociosos;
10. Todos têm o direito de amar e cuidar de um gato;
11. Todos têm o direito de cuidar de um cachorro até que um ou outro morra;
12. Um cachorro tem direito de ser um cachorro;
13. Um gato não é abrigado a amar seu dono, mas deve ajudá-lo quando se encontrar em dificuldades;
14. Todos têm o direito de, às vezes, estar inconsciente de seus afazeres;
15. Todos têm direito de ficar na dúvida, mas isso não é uma obrigação;
16. Todos têm o direito de ser felizes;
17. Todos têm o direito de ser infelizes;
18. Todos têm o direito de ficar em silêncio;
19. Todos têm o direito de ter fé;
20. Ninguém tem direito à violência;
21. Todos têm o direito de perceber sua insignificância e magnificência;
22. Todos têm o direito de violar até a eternidade;
23. Todos têm o direito de entender;
24. Todos têm o direito de entender nada;
25. Todos têm o direito de ter várias nacionalidades;
26. Todos têm o direito de celebrar ou não o próprio aniversário;
27. Todos devem lembrar do próprio nome;
28. Todos devem dividir o que possuem;
29. Ninguém pode dividir o que não possui;
30. Todos têm o direito de ter irmãos, irmãs e pais;
31. Todos são capazes de ter independência;
32. Cada um é responsável pela própria liberdade;
33. Todos têm o direito de chorar;
34. Todos têm o direito de ser incompreendidos;
35. Ninguém tem o direito de fazer outra pessoa se sentir culpada;
36. Todos têm o direito de ser pessoal;
37. Todos têm o direito de não ter direitos;
38. Todos têm o direito de não ter medo;
39. Não defenda;
40. Não revide;
41. Não se renda;

Pra quem ficou morrendo de vontade de conhecer Uzupio, aqui e aqui tem a visão de dois brasileiros sobre o lugar. Pra quem vai bem no inglês, mais informações aqui e a Wiki nossa de cada dia, que não podia ficar de fora.

*Claro que o título desse post foi inspirado no poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada“, lugar onde “a existência é uma aventura”.

Acabou porque deu certo. Durante cinco meses deu certo. Apesar da mulher dele (alguns dias ex), apesar dos dois filhos dele, apesar das nossas noitadas regadas a tequila (bebidas por mim), apesar da cocaína (cheirada por ele), apesar dos ciúmes mútuos, das brigas constantes e das diferenças. Ele sonhando com uma TV de tela plana e várias polegadas. Eu, em ser uma das melhores jornalistas internacionais.
Começou torto (bebedeira, motel e sexo sem sentido). Continuou mal (traições, orgulhos feridos e demonstrações de desprezos um ao outro constantemente). E terminou certo. Terminou porque em algum momento percebi que o meu amor próprio deveria ser maior do que o amor que nutria por ele.
Doeu, mas terminou, o amor e a dor.

Nem sempre os sonhos se realizam, entrevistas viram empregos, rolos viram companhia pra noites dormidas em “conchinha”, sorrisos viram conversas. Às vezes as expectativas não se cumprem, e não se sabe se esperou demais de algo que nem prometia dar certo ou se a promessa é que não foi cumprida. De qualquer forma, só nos resta sonhar.

O filminho abaixo mostra um encontro que nem era esperado, mas que se cumpre. É rápido (dois minutos e vinte e cinco segundos), é meigo e é bem feito.

Às vezes é preciso interromper a leitura e olhar para fora. Aproveitar a janela do ônibus ou de casa para descobrir a cidade e se apropriar dela… Conhecer a gente que a habita e a faz pulsar. Descobrir formas e cores nas plantas dos jardins alheios. Conhecer mais de arquitetura observando como as pessoas vivem onde vivem. Passear a vista pela rotina de alguém que você nunca mais vai encontrar. Parar em frente a um portão e não se intimidar pelo tamanho, e sim espiar pelas frestas.

Brindar o olhar com a vista da cidade, é o que quero pra hoje.

“Penso que estamos Cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

José Saramago

Aliás, apenas por uma não, você pode militar por várias, é fácil! E você pode fazer isso de tantas formas: participando de ações de mobilização, de debates, confeccionando faixas e cartazes, compartilhando conteúdo no Facebook… Você pode fazer militância em uma conversa informal ao expor o assunto para os demais ou apenas agindo de forma coerente com o seu discurso. Não precisa de esforço, militar se torna algo natural.  Quem milita em movimento ambiental não vai jogar lixo na rua, não porque pode ser criticado, mas porque já é algo inerente à pessoa.

O problema é criar a conscientização sobre essas causas. Isso sim, dói! Exige reflexões, debates, leituras, enfim, exige pensar. E muitas vezes exige abandonar velhos preconceitos e paradigmas. Exige abertura ao novo. Enquanto essas causas ainda não são “suas causas” é que é difícil se animar e participar de palestras, cursos, atos…

Se pensar dói, começar a pensar é excruciante, mas altamente recompensador!

Manifestação dos povos originários de Salta (Argentina) e as famosas bandeiras wiphala


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