Perecível ao tempo

Archive for março 2012

“Um misterioso assassinato em Manhattan” (Manhattan Murder Mystery, 1993) é o típico filme de Woody Allen. Ele encarna o ranzinza e confuso Larry, há personagens paranoicos e Diane Keaton atua magnificamente (ela é a 2ª atriz que mais contracenou nos filmes de Allen, a primeira é Mia Farrow). Uma morte se soma à trama, e a suspeita de assassinato é a responsável pelas divertidas cenas de investigação que o casal protagoniza. Além disso, há Nova York como pano de fundo, emprestando seus parques e restaurantes como locação.

A história encanta pela simplicidade e pelo mistério sobre o como e o porquê do assassinato. A parceria de anos, que já apareceu nas telas em outros sete filmes, funciona bem. Não há como não querer “fazer parte” do casal (ex, na vida real) Keaton-Allen.

Mas além das atuações e da trama perspicaz, o que chama a atenção neste filme são os figurinos usados por Diane. Nada que já não estejamos acostumados. A protagonista continua se vestindo de homem. E Keaton faz isso como ninguém, então, quando ela aparece em cena, é bom sempre ficar de olho!

O estilo totalmente masculino no vestir de Keaton ficou famoso em 1977, no filme “Noivo neurótico, noiva nervosa” (Annie Hall, 1977), onde a atriz aparece diversas vezes de camisa, calça social, colete e gravata (!).

A atriz é referência quando o assunto é moda feminina “masculinizada”. E ainda hoje ela aparece em eventos com modelitos desse estilo:

Enfim, o filme vale pelo texto de Allen, pelas ótimas atuações e pelas referências de moda. Hora de esquentar a pipoca!

São vinte e três horas e trinta minutos do dia catorze de março de 2012, talvez pareça atrasado ou fora de propósito desejar um feliz 2012 pra todos, mas nunca é tarde pra compartilhar uma boa mensagem!

Acredito que assim como eu, todo mundo tem duas “vozinhas” dentro de si. Uma, racional, rígida, focada. A outra, impulsiva, flexível, dispersa. Cada uma dá conselhos à sua maneira. Enquanto a primeira fala: calma! A segunda grita: corra!

Ando fazendo várias atividades, e para aproveitar ao máximo cada uma delas, tenho tentado escutar mais a primeira voz. Me concentrando em uma coisa de cada vez, me organizando previamente, acredito que posso tirar o melhor de tudo. Mas quando a calmaria se instala, sempre aparece algo para instaurar o caos. E daí, todos os esforços para ser uma pessoa centrada se esvaem. É o momento em que o lado racional deixa de pedir, e começa a implorar: PARE! Isso não vai dar certo! Por mais que tente, cedo as tentações e escuto a vozinha que canta: Vai lá garota! Faça já, que tudo vai dar certo!

Assumo o risco, vou voando e embalo na canção, acreditando que a correria, o improviso, o imediato trarão bons resultados. E é claro que quase nunca trazem. Depois da derrota e da frustração, só escuto uma voz dentro de mim: Pois é, dessa vez não deu certo, mas na próxima vai! Essa, é a voz impulsiva, a mesma que me fez correr, voar… A outra? A outra fica calada, pois além de racional, rígida e focada, é respeitosa. Ela não ousa nem falar: eu avisei no que ia dar!

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* Tem uma história, já famosa, que é mais ou menos assim:

Um velho sábio descreveu, certa vez, seus conflitos internos:

– Dentro de mim existem dois cachorros:
 um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil.
 Os dois estão SEMPRE brigando…

Quando, então, lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o velho sábio parou, refletiu e respondeu:

– Aquele que eu mais alimentar…

Às vezes é chato ter um blog. É chato porque quando você não posta nada se sente culpada, como se tivesse faltado no casamento da própria irmã ou na formatura do namorado. E é difícil não ficar chateada quando ele tem poucas visitas, mesmo que você diga não se importar se as pessoas “te” leem, que o importante é o simples ato de escrever. E é humilhante ter que reconhecer que às vezes, aquela teoria tão bem bolada foi por água abaixo com um simples comentário. É pedinte demais ter que ficar convidando a família e os amigos pra “darem uma olhadinha” em um texto que você fez. E é meio bobo, quando você lembra que o que está sendo publicado são as suas impressões sobre o mundo. E afinal de contas, quem é você pra querer dar palpites em tudo. E também é um pouco arrogante da parte de quem publica achar que as pessoas DEVEM ler as bobagens de quem escreve. E é cansativo pesquisar imagens, vídeos, links, templates, fontes…

Não há remuneração financeira (na maioria dos casos), nem fama ou glória, mas, mesmo sendo chato, difícil, humilhante, pedinte, bobo, arrogante e cansativo, é estranhamento recompensador. E só quem escreve um blog sabe o quanto é empolgante voltar a escrever depois de um tempo sem nada publicar. O quanto alegra o dia uma única visita a mais. O quanto conforta saber que alguém se importou em comentar o post. O quanto é bom saber que as pessoas mais próximas leram o texto que você escreveu. O quanto é libertador publicar as próprias ideias. O quanto é animador quando alguém diz que adorou aquele texto que você forçou ela a ler. O quanto é divertido construir dia após dia a sua identidade na internet.

É, ter um blog é chato, mas não ter, é muito mais!


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