Perecível ao tempo

Archive for dezembro 2011

Nasci em Curitiba. Morei até os dez anos na cidade. Depois de cinco longe de casa, voltei.

Adoro viajar, e quando vou para um lugar novo não descanso enquanto não “bato perna” por boa parte da cidade. Aproveito para ir em museus, teatros, parques, praças, etc. Em pouco tempo, já sinto que conheço o ritmo do lugar. Tento não ser apenas uma turista que visita os “cartões-postais”, mas tento me inserir nos locais que os “nativos” frequentam.

Faço uma imersão na realidade do tal lugar onde estou. Isso faz com que, mesmo voltando sem ter conhecido alguns dos principais pontos turísticos, sinto que vivi a cidade. E não apenas a visitei.

Mas nem sempre é possível fazer essa imersão, e sinto que um dos lugares que menos propicia isso, é o lugar onde a gente mora. Independente do porte, parece que a rotina de todos impossibilita um olhar mais aprofundado sobre a nossa própria cidade.

Sempre deixamos para depois uma exposição interessante, o parque legal, o restaurante gostoso, o famoso ponto turístico… Enfim, sempre deixamos para depois a oportunidade de conhecer melhor o lugar em que vivemos (afinal, nada vai sair do lugar e sempre será possível deixar para amanhã o que você poderia fazer hoje).

Por isso, uma das minhas metas para 2012 é descobrir a cidade em que vivo. Revisitar as atrações, passear pelas tradicionais feirinhas, palmilhar pelos calçadões, espreguiçar-me na grama dos parques….

Em 2012 quero viver mais Curitiba!


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Vão construir uma usina hidrelétrica no Pará. Ela se chamará Belo Monte e vai custar mais de R$ 19bi ao país. Ok, tudo isso todo mundo já sabe. A questão que muita gente vem se fazendo é se a construção vale a pena.

Vai desmatar?

Vai alagar as casas?

Vai matar os animais?

Vai empregar  gente?

Vai desenvolver a região?

Enquanto nos fazemos essas perguntas surgiram vários movimentos. Alguns condenando a construção da hidrelétrica, outros defendendo. Tem até vídeo satirizando… O Chico Buarque inclusive gravou uma música em homenagem ao movimento! E escreveu uma peça de teatro. Brinks! A peça e a música já existiam muito antes…

Mas o movimento mais famoso é o encabeçado pelo ator Sérgio Marone e pela jornalista Maria Paula Fernandes, estrelado por vários artistas globais. A tal Gota D’Água.

Não estou nem entre os que aderiram ao “Gota D’Água LifeStyle”, muitos menos aos que estão atacando o movimento, do texto à participação dos atores globais, passando pelo uso de fundo branco e falta de sutiã da Maitê Proença.

Talvez nem todos os dados estejam corretos, talvez a área onde a usina será construída esteja realmente desmatada, talvez Belo Monte só traga alegrias para os paraenses e desenvolvimento para o Brasil. Mas há uma coisa que ninguém pode negar. O Movimento Gota D’Água, com seu vídeo e seus atores globais trouxe a tona uma questão importante para o país. Seja ambientalmente, quanto financeira e socialmente falando, Belo Monte é uma questão que interessa a todos.

Antes do vídeo, quem havia se disposto a pesquisar no Google mais informações sobre a usina? Quantos foram os que debateram com amigos sobre o assunto? Quantos sabiam da construção da hidrelétrica?

Pois é, acho que mesmo os que discordam sobre os dados afirmados no vídeo deveriam parabenizá-lo. Afinal, não é todo dia que uma pauta dessa natureza entra no cotidiano das pessoas. Gota D’Água, com atores globais e informações contestadas foi capaz de fazer o que muitos teóricos apenas sonham:

LEVANTAR A DISCUSSÃO DE UM ASSUNTO RELEVANTE PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA!

E só isso basta para ele ser considerado um sucesso.


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