Perecível ao tempo

Pequena história sobre como li mais quando aprendi a abandonar os livros

Posted on: 20/12/2011

Sempre fui apaixonada pelo mundo da leitura, dessas que não perdem a oportunidade de ler nem outdoor ou bula de remédio. Sempre fui daquelas leitoras intensas, que não descansava enquanto não tivesse chegado ao fim da história. Foram incontáveis às vezes em que passei a noite em claro, na busca de um desfecho emocionante. Tudo certo até aí, você deve estar pensando, afinal, não são raros os casos de leitores apaixonados pela palavra escrita. Mas o problema ocorria quando esta palavra, por mim tão apreciada, não era bem utilizada. Entre livros que “devorava”, outros que “digeria” lentamente, existia um grupo que simplesmente “entalava” na minha guela. Como um casal de velhos ranzinzas, seguíamos juntos até o fim enquanto reclamava dele, ele parecia reclamar de mim. Como uma mulher traída, me perguntava “o que estou fazendo ao lado deste traste?” Mas não o largava. Com medo de perder um “manjar dos deuses” consumia o petisco insosso. E nesta relação difícil, nada de novo ou de bom era acrescentado. A leitura era um suplício.

Um dia, numa terça ou quinta feira, às nove da manhã ou às duas da tarde, num desses momentos que você não espera nada de especial da vida, tomei uma decisão: era hora de me desapegar. Sim, já não devia mais aceitar ficar em má companhia. Se um livro não me satisfizesse, deveria abandoná-lo. E foi isso que fiz. A partir daí, me tornei livre e promíscua. Era livre para escolher quem estaria ao meu lado, só um nome famoso não me bastaria. Era preciso ter química. Só ficaria ao lado de quem me desse prazer. Machado de Assis precisou lutar pela minha atenção. Guimarães Rosa me seduziu a cada linha. Agatha Christie recheava a nossa relação com mil mistérios para me manter entretida.

Foi assim, me livrando dos chatos e ranzinzas é que pude ter mais tempo para me cercar daqueles que merecem minha atenção. Famosos ou não, dou chance a todos, mas diferente de antes, se eles não correspondem a minha expectativa o abandono. Afinal, para mim, leitura é paixão, e não um ato de obrigação.

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2 Respostas to "Pequena história sobre como li mais quando aprendi a abandonar os livros"

Concordo. Nao faz mt tempo me emprestaram um livro, q demorei duas eternidades em ler. O Andres me dizia: “se vc nao gosta deixa e entregue o livro”, mas nao, me fiz super persistente e li até o final!! E de que adiantou?? Mudou, nem que seja um pouco, a opiniao que eu tinha qdo estava em menos da metade do livro?? NAO! E perdi 3 meses me obrigando a ler uma história que nao me deu mt coisa… mt diferente da Sombra del viento, de Carlos Ruiz Zafón, apaixonante!!! Totalmente te indico que leia!!!

Aiai… Mais um livro para ler nas férias!
Valeu pela indicação!

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