Perecível ao tempo

Archive for dezembro 2011

Festas de final de ano envolvem parentes, embrulhos, barulho e comida. Me animo por causa da roupas bonitas e sapatos legais que vou tirar do armário e pela quantidade de comida que vou ingerir (proporcional ao mal estar que vou sentir no dia seguinte, quando repetir os exageros da janta no almoço).

Sou meio mal humorada nesta época. Fico meio depressiva. Me conheço. Sei que é nesta época que tudo o que não sou/estou entra em evidência. É no jantar de Natal que vou ter que explicar porque, mesmo sendo tão legal, não tenho namorado; mesmo estudando em uma boa faculdade não estou estagiando (muito menos trabalhando); mesmo fazendo mil e um bicos continuo sem dinheiro… Enfim, é um festival de horrores das minhas intimidades. Todas elas escancaradas durante alguns minutos (porque afinal, ninguém passar o aniversário do “menino Jesus blábláblá…” conversando com a deprê-fracassada da família).

Menos de uma semana depois a cena se repete. Ano Novo, galera de branco e calcinha amarela. No máximo vermelha… E nem venha me dizer que você vai usar verde ou azul, que todo mundo tá precisando de grana, isso sim! Peru e porco no forno, lentilha, primo, tio e os embrulhos do pessoal que não se viu e nem trocou presente no Natal. As perguntas se repetem: “Namorado? Trabalho? Nem estágio? Vai viajar nessas férias?”

Isso quando um ou outro não perguntam “com estão as aulas?” Bom, se ainda estivesse com aulas em pleno Natal/Ano Novo ia estar me estourando de estudar e não escutando tanta baboseira. Mas enfim… Todo ano o ritual se repete. E todo ano a minha promessa pra mim mesma se refaz. “Ano que vem nada de passar as festas com a família, vou juntar grana e viajar!”

Mas é claro que se tivesse cumprido o que prometi pra mim mesma no ano passado não estaria aqui, pensando no interrogatório familiar que me aguarda na noite de 31 de dezembro. Ah, e no almoço de um de janeiro. Saco!

Sempre fui apaixonada pelo mundo da leitura, dessas que não perdem a oportunidade de ler nem outdoor ou bula de remédio. Sempre fui daquelas leitoras intensas, que não descansava enquanto não tivesse chegado ao fim da história. Foram incontáveis às vezes em que passei a noite em claro, na busca de um desfecho emocionante. Tudo certo até aí, você deve estar pensando, afinal, não são raros os casos de leitores apaixonados pela palavra escrita. Mas o problema ocorria quando esta palavra, por mim tão apreciada, não era bem utilizada. Entre livros que “devorava”, outros que “digeria” lentamente, existia um grupo que simplesmente “entalava” na minha guela. Como um casal de velhos ranzinzas, seguíamos juntos até o fim enquanto reclamava dele, ele parecia reclamar de mim. Como uma mulher traída, me perguntava “o que estou fazendo ao lado deste traste?” Mas não o largava. Com medo de perder um “manjar dos deuses” consumia o petisco insosso. E nesta relação difícil, nada de novo ou de bom era acrescentado. A leitura era um suplício.

Um dia, numa terça ou quinta feira, às nove da manhã ou às duas da tarde, num desses momentos que você não espera nada de especial da vida, tomei uma decisão: era hora de me desapegar. Sim, já não devia mais aceitar ficar em má companhia. Se um livro não me satisfizesse, deveria abandoná-lo. E foi isso que fiz. A partir daí, me tornei livre e promíscua. Era livre para escolher quem estaria ao meu lado, só um nome famoso não me bastaria. Era preciso ter química. Só ficaria ao lado de quem me desse prazer. Machado de Assis precisou lutar pela minha atenção. Guimarães Rosa me seduziu a cada linha. Agatha Christie recheava a nossa relação com mil mistérios para me manter entretida.

Foi assim, me livrando dos chatos e ranzinzas é que pude ter mais tempo para me cercar daqueles que merecem minha atenção. Famosos ou não, dou chance a todos, mas diferente de antes, se eles não correspondem a minha expectativa o abandono. Afinal, para mim, leitura é paixão, e não um ato de obrigação.

Ailime Kamaia. Não bastava um nome complicado, minha mãe escolheu logo dois para batizar a segunda filha. “Aline? Maia?”. “Não! Ailime Kamaia!” Cansei de repetir a frase, assim como cansei de escutar a pergunta: “Mas o que significa?”.

Então, Ailime vem do francês, deriva de Aimeé e significa amada. Já Kamaia vem do ianomâmi e ainda não descobri o que quer dizer, apesar de já ter pesquisado bastante o significado. Essa é a resposta padrão para a pergunta que tanto escuto, mas com certeza posso alongá-la e completar a explicação.

“Na verdade não era pra eu me chamar Ailime Kamaia, e sim, Arima Kamaia. Arima também é ianomâmi. Mas a minha mãe esqueceu esse nome e em cima da hora lembrou-se do nome de uma modelo francesa, Ailime. Quem acabou com o nome de Arima foi a minha irmã mais nova, Arima Dandara”.

Nesse momento começo a discorrer sobre os significados do nome da minha irmã mais nova, depois pulo para o nome da mais velha, Maria Anahi. Por fim, falo de Rich-Nei (filho), meu irmão. Sim, é uma conversa, que muitas vezes se pretendia introdutória,  termina sendo longa. Mas garante a alegria de muitos ouvintes, posso afirmar.

As pessoas gostam de conhecer tipos com nomes incomuns. Tenho uma amiga que faz questão de pronunciar meu nome completo toda vez que me apresenta a algum conhecido. Ela se vangloria de ter uma colega chamada “Ailime Kamaia”.

—————

Olhares curiosos se voltam para mim quando pronuncio meu nome. Já estou mais do que acostumada a ter que soletrá-lo, a enunciá-lo pausadamente, a ser chamada de Aline ou Maia. Entendo todas essas pessoas, afinal houve um tempo em que nem eu mesma sabia falar Ailime.

Mas o fato de ser um nome um tanto diferente não impede que as pessoas tentem aprende-lo. Tudo é uma questão de hábito. As pessoas se acostumam a falar “Ailime Kamaia”, da mesma forma que se habituam a visitar a sogra. Nenhuma Ana Maria quer ser chamada de Mariana.

Meu nome é parte da minha identidade. Gosto de pensar que sou tão exótica, tão incomum quanto ele. Gosto de ser a única “Ailime Kamaia” porque gosto de me sentir única.

O documentarista Alan Berliner demonstrou a importância que um nome pode ter. Afinal, foi investigando “Alans Berliners” por aí que ele criou o argumento do seu documentário, “O som mais doce”. E o próprio título do audiovisual já deixa claro que não há palavra mais bonita para uma pessoa do que seu próprio nome. Sinais de egocentrismo? Prefiro pensar que não, que sejam sinais de amor-próprio apenas.

Não acho que o nome tenha o poder de determinar a vida de uma pessoa, mas a forma como essa pessoa se relaciona com sua alcunha ajuda a vislumbrar a personalidade dela.

—————

Ahhh. E como costuma acontecer com quem tem nomes compostos “estranhos”, sempre preciso explicar que Kamaia não é sobrenome. É nome, como o Maria, da tal Ana acima mencionada.

É, não é fácil ter um nome singular. É preciso paciência. É preciso aguentar piadinhas sem graça. É preciso soletrar tantas vezes quanto forem necessárias. Porém, é saber que você tem um nome único e que se alguém gritar na rua por você, vai ser só pra você.

Propaganda bem sucedida não é só aquela que faz alavancar as vendas de um produto, mas também cria rebuliço expectativa, gera repercussão.

A Super Interessante juntou sua (pseudo) ciência e humor e criou um viral bem bacana!

Não que eu concorde com tudo que é dito na propaganda, mas achei interessante a forma que eles resgataram o viral pioneiro dessa “Era dos Vídeos engraçadinhos e tocantes na Internet”, o Filtro Solar. Acho legal quando criam em cima de um hit, afinal, nada se cria, tudo se copia…não é!?

Meio ambiente, natureza, ecossistema, buraco de ozônio, mudanças climáticas.

Todas estas palavras ultrapassaram as barreiras do mundinho dos ecochatos e agora povoam a mente de qualquer brasileiro “ambientalmente consciente”.

Globais fazem vídeo sobre Belo Monte, se discute o Novo Código Florestal no Facebook, fala-se sobre as ações do Ministério do Meio Ambiente no Twitter. Todos muito conscientes!

Para cada problema debatido, uma solução. Ou melhor uma única solução. Batendo ponto em todos os papos sobre mudanças de
hábitos e meio ambiente, ela está lá, como salvadora da humanidade, a bicicleta.

Todos falam dos benefícios que a pedalada proporciona para o corpo, a mente e o meio. Ter participado de uma bicicletada é fundamental na biografia de qualquer pessoa que se diga minimamente consciente. Mas eu tenho duas notícias. Qual vocês querem primeiro, a boa ou a ruim?

Vou primeiro para a ruim.

É o seguinte. Pedalar de casa até a padaria não vai salvar o mundo! Pois é. Apenas andar de bicicleta não vai fazer todo o CO2 presente na atmosfera sumir em um buraco negro. Nem vai fazer os 92% de floresta desmatada da Mata Atlântica reaparecer. Muito menos deterá o derretimento dos icebergs do Pólo Norte. Nem trará de volta os animais em extinção. Triste, né!?

Então não adianta ficar defendendo a bicicleta como a solução de todos os males. A bicicleta não vai entrar em uma cabine telefônica, trocar de roupa e sair salvando o mundo!

Agora, a boa notícia é que usar a bicicleta pode ser o primeiro passo para adotar atitudes mais sustentáveis no dia a dia.

Então, nada de desespero. Acredito que sim, é possível reverter alguns quadros (tristes) de degradação ambiental, mas é preciso entender o papel e o sentido das atitudes que tomamos nessa defesa pelo meio ambiente.

Se eu disser que a beleza importa, rapidamente alguém vai contra argumentar: “não, não podemos analisar só a aparência, precisamos nos aprofundar”.

Concordo que devemos  dar importância para a função e o interior das coisas/pessoas, porém qual é o papel da arte? Para mim é o de ser belo.

Com tantas coisas feias a nos rodear, gostamos de ter elementos capazes de tornar mais bonita a nossa vida. Muitas vezes, o que é belo não precisa ter nenhuma função prática. Ser belo, já basta.

Porém, em busca de um “aprofundamento” das coisas, abrimos mão da beleza para não parecermos superficiais. Mas a beleza continua valendo a pena. Afinal, não são tão felizes os momentos em que podemos parar tudo e apenas contemplar algo que nos encante? A vista do horizonte que o cume proporciona não é o objetivo de qualquer montanhista? Não nos sentimos incomodados quando vivemos em uma casa que não nos agrada?

Sim, a beleza, ou melhor, a busca pela beleza está em tantas partes, então porque negar sua importância?

Filósofos argumentaram que, através da percepção da beleza, moldamos o mundo como um lar.

[Roger Scruton, filósofo]

No documentário abaixo, Roger Scruton fala sobre beleza, amor, arte, o sagrado… Material interessante para ver e debater!

Bom, não concordo com tudo que o filósofo apresenta. Acho ele um tanto radical e com uma visão muito “tradicional” sobre arte/beleza. Mas a discussão vale a pena!

Outro que deu seu pitaco sobre o assunto foi o irlandês Oscar Wilde, e é com uma frase dele (presente no livro “O Retrato de Dorian Gray“) que encerro o post, desejando que todos consigam buscar a beleza no seu dia a dia.

As pessoas dizem as vezes que a beleza é superficial. Pode ser que seja. Mas, pelo menos, não é tão superficial quanto o pensamento. Para mim, a beleza é a maravilha das maravilhas. São apenas as pessoas superficiais que não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível.

[Oscar Wilde, escritor, dramaturgo e poeta]

Tem pessoas que deixam uma marca irreversível em nós. Nos tomam por inteiro, nos intoxicam, nos enchem de algo que não se sabe o que é e nem para que serve. Dessas pessoas, quero curar-me!

P.s.: A poesia é de Jaime Sabines.

P.s.2: Para quem quiser ler em espanhol (original), ou a tradução em português clique nas palavras destacadas.


%d blogueiros gostam disto: